Flávio Bolsonaro não é a mudança. Ele é o sistema.
Flávio Bolsonaro foi eleito pela primeira vez em 2002. São 24 anos de política: mandato atrás de mandato, acusações e negócios mal explicados.
Ele promete enfrentar o sistema. Só esquece de contar que é parte dele.
“Vou ser o próximo presidente porque vou enfrentar esse sistema.”
Flávio Bolsonaro, em ato de campanha
de política desde a primeira eleição, em 2002: deputado estadual de 2003 a 2019, senador desde 2019, sem parar. É mais da metade da vida dele.
- 2000Cargo na Câmara dos Deputados, aos 19 anos.
- 2002Eleito deputado estadual. Reeleito em 2006, 2010 e 2014.
- 2016Candidato a prefeito do Rio. Fica em 4º.
- 2018Eleito senador.
- 2026Candidato a presidente.
Jair, o pai: vereador e 7 mandatos de deputado antes de virar presidente. Condenado pelo STF a 27 anos por trama golpista.
Carlos: 7 mandatos de vereador. Eleito senador em 2026.
Eduardo: 3 mandatos de deputado. Perdeu o mandato por faltas e foi condenado pelo STF por coação.
Renan e Michelle: eleitos em 2026, para a Câmara e para o Senado.
PP, PSC, PSL, Republicanos, Patriota e PL: cinco trocas em cinco anos. No 2º turno, ganhou o apoio de PP, União Brasil e Republicanos, o coração do Centrão.
Isso não é mudança. Isso é o sistema.
Pai, mãe, irmãos, madrasta: uma família vivendo de mandato desde 1989. Seis partidos. O Centrão de braços abertos. E ele ainda diz que vai "enfrentar o sistema".
Aos 19 anos. Na Câmara dos Deputados. No lugar da madrasta.
Cargo: assistente técnico de gabinete na liderança do PPB, o partido do pai.
Quem estava na vaga até uma semana antes: Ana Cristina Valle, então mulher de Jair Bolsonaro.
por mês, em dinheiro de hoje. Era o salário do primeiro emprego: R$ 4,7 mil em 2001, corrigidos pela inflação (INPC).
O cargo só podia ser exercido em Brasília. Ao mesmo tempo, ele cursava Direito presencial no Rio, a mais de 1.000 km, e ainda fazia estágio na Defensoria.
Nada mal pro primeiro emprego, né?
Aos 19 anos, num cargo de confiança, no lugar da madrasta. É assim que o sistema começa.
Dinheiro público, salário de assessor, bolso de quem contratou.
O político contrata assessores com dinheiro público e fica com parte do salário deles.
Segundo o Ministério Público do Rio, foi o que aconteceu no gabinete de Flávio na Alerj, de 2007 a 2018.
em salários de 12 assessores apontados pelo MP como fantasmas. Uma ex-assessora confessou: nunca trabalhou e devolvia o salário.
- 2020MP denuncia Flávio por peculato, lavagem e organização criminosa.
- 2021STJ anula as quebras de sigilo e as decisões do juiz, por causa do foro.
- 2022Sem as provas, o TJ-RJ rejeita a denúncia.
- 2025STF nega reabrir o caso.
Ninguém julgou se ele era inocente.
O caso caiu por questão de foro: o foro especial que a defesa de Flávio pediu e conseguiu. Ele nunca foi condenado. Também nunca foi absolvido.
Se a gente já desconfia de quem paga a loja em dinheiro vivo, imagina milhões.
em espécie, segundo a denúncia do MP: dinheiro vivo do esquema que Flávio teria usado em imóveis, numa loja de chocolate e em contas pessoais.
Dois apartamentos. Na escritura: R$ 310 mil.
No mesmo dia, o vendedor depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo. Para o MP, foi pagamento por fora.
imóveis comprados por Flávio pagos em parte com dinheiro vivo, segundo levantamento do UOL em cartórios.
Franquia Kopenhagen na Barra da Tijuca, metade dele. Para o MP, a loja teria lavado até R$ 1,6 milhão: depósitos em espécie lançados como venda de chocolate.
Homenagem, medalha e emprego no gabinete para a família do apontado chefe de um grupo de matadores.
Adriano da Nóbrega: ex-capitão do Bope, expulso da PM. Denunciado pelo MP como chefe da milícia de Rio das Pedras e apontado como líder do Escritório do Crime, grupo de matadores ligado a pelo menos 19 assassinatos.
Morreu foragido em 2020, sem julgamento.
- 2003Moção de louvor na Alerj, "com orgulho e satisfação". Adriano já era investigado por uma morte.
- 2005Medalha Tiradentes, a maior honraria da Alerj. Adriano estava preso, acusado de homicídio. Flávio foi à prisão entregar.
- 2007–2018A mulher de Adriano no gabinete de Flávio. A mãe entrou em 2016. R$ 6,5 mil por mês cada, indicadas por Queiroz.
repassados a Queiroz pela mãe e pela mulher de Adriano, que eram funcionárias fantasmas, segundo a denúncia do MP. A denúncia caiu junto com o caso da rachadinha.
“Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar.”
Jair Bolsonaro, em 2020, sobre a medalha. Disse que foi ele quem orientou o filho a dar a honraria.
“Não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois.”
Flávio, em 2026. Quando foi homenageado, Adriano já era investigado.
Nenhuma investigação liga Flávio ao assassinato. Mas dois condenados no caso passaram pela órbita dele:
o major Ronald, que Flávio homenageou na Alerj em 2004, condenado pelo STF a 56 anos por monitorar Marielle;
e o miliciano "Peixe", que negociou com o gabinete dele uma emenda de R$ 199 mil em 2023. A PF investiga a emenda.
Medalha para o acusado. Salário para a família.
Na Alerj, Flávio chamou isso de homenagem a policiais. O Ministério Público chamou de milícia. Isso também é o sistema.
Em 2002, ele declarou só um carro: um Gol 1.0 de R$ 25 mil.
é quanto o patrimônio declarado cresceu de 2002 a 2026: mais de 32.000%. Só até 2018, quando disputou o Senado, já eram quase 70 vezes.
Valores nominais declarados ao TSE. Descontada a inflação, o patrimônio ainda cresceu cerca de 78 vezes.
Mais de sete anos no Senado. Veja o que saiu e o que não saiu.
projetos de autoria dele viraram lei no Senado. Ele só aparece como coautor, entre dezenas de senadores, de uma lei e de uma emenda constitucional.
Casa de R$ 5,97 milhões. R$ 3,1 milhões emprestados pelo BRB, banco público do DF, a 3,71% ao ano, abaixo da média do banco (cerca de 4,85%).
Hoje a Polícia Federal investiga esse empréstimo.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso. Do outro lado da conversa: Flávio.
O BRB tentou comprar o Master. O Banco Central vetou, e o Master foi liquidado em novembro de 2025.
Segundo a PF, o prejuízo do BRB passa de R$ 17 bilhões. Hoje o banco depende de um socorro de até R$ 6,6 bilhões para ficar de pé.
foi quanto Flávio negociou com Vorcaro (US$ 24 milhões) para bancar o filme sobre o pai, "Dark Horse". Pelo menos R$ 61 milhões foram pagos, segundo o Intercept. Ele admite que pediu e diz que era "patrocínio privado".
Desde julho de 2026, Flávio é investigado no Supremo por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A PF o chama de "interlocutor direto" de Vorcaro.
O banco captou de 1,6 milhão de investidores e de 18 fundos de aposentadoria de servidores públicos, que aplicaram R$ 1,9 bilhão nele.
O que ele votou e o que ele propõe para quem trabalha.
A Câmara aprovou o fim da escala 6x1 por 472 a 22, com votos até do PL. Flávio disse que a mudança traria "desemprego em massa" e chamou a proposta de "oportunista".
A alternativa dele: pagamento por hora, com férias e 13º proporcionais.
2019: votou SIM à reforma da Previdência. 2021: votou SIM à minirreforma trabalhista, que o próprio Senado derrubou.
2026: o coordenador da campanha avisou que "a gente vai ter que revisitar a Previdência".
é o ajuste que a equipe de Flávio estuda, segundo a Folha: aposentadorias e BPC corrigidos só pela inflação. A campanha nega.
Flávio é o relator da PEC que tira da União os terrenos de marinha do litoral e permite vendê-los a quem ocupa.
O Ministério Público Federal alertou: o texto dele deixa o acesso às praias nas mãos dos planos diretores municipais e da especulação imobiliária.
Quem paga a conta do sistema é você.
Menos direitos para quem trabalha. A praia aberta à especulação imobiliária. E a promessa de "não mexer" na aposentadoria, desmentida pelo próprio coordenador da campanha.
declarações enganosas de Flávio só sobre o caso Vorcaro, segundo a agência de checagem Aos Fatos. Primeiro ele disse que o escândalo era "do Lula", depois negou tudo, e por fim admitiu.
24 anos de política. Acusações que a Justiça nunca julgou. Mansão com empréstimo de banco público. Negócio milionário com banqueiro preso. Isso não é novidade: é o pior da política brasileira.
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